24.9.08

Símbolos

Tirem-me a vista.
Tirem-me para sempre a luz de Lisboa,
Tirem-me as encostas do Douro, o Tejo e o Alentejo,
Tirem-me a calçada dos passeios e os azulejos de parede.

Tirem-me o ouvido.
Tirem-me para sempre o choro da guitarra e o pranto do fadista,
Tirem-me os pregões das mulheres do bulhão e a pronúncia de norte a sul,
Tirem-me a fúria de espuma das ondas e o grito do golo.

Tirem-me o tacto.
Tirem-me para sempre o sol de Inverno a bater na cara,
Tirem-me o barro a ganhar forma entre os dedos,
Tirem-me o rosto queimado da minha mãe e a mão áspera do meu pai.

Tirem-me tudo isto, mas não me tirem o gosto.
Porque se eu ainda for capaz de saborear a alheira a rebentar de sabor,
ou o bacalhau com todos a nadar em azeite,
serei capaz de dizer,
se não me tirarem a fala,
que estou em Portugal.


Este é o script de um dos melhores anúncios alguma vez realizados em Portugal.
Mostra aquilo que somos e o melhor que temos – as nossas tradições e os nossos símbolos, aqueles que nos distinguem além fronteiras.

Como este "galaró" de Barcelos.

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